Ser ou não ser…mulher!

Ao olhar minha estante de livros, 9 em cada 10 versam sobre mulheres, algo nada estranho quando pensamos ser a estante de uma mulher, que estuda o comportamento feminino e que trata da saúde de mulheres! Sim, conclusão óbvia e nada surpreendente. No entanto, aprofundando essa análise até a origem do problema, pessoal, no caso, penso que tanto interesse pelo assunto mulher não é apenas profissional, vejo a procura de identidade estampada em todos os textos, em todos os romances, em todas as leituras. Afinal, que mulher sou eu? Ou, quantas mulheres vivem em mim?

Pela prática de conviver 24 horas por dia com mulheres e sendo eu uma delas fica nítida a existência de várias mulheres em todas as mulheres, percebo a mãe, a profissional (geralmente querendo mostrar seu potencial, ainda na vã esperança de ser reconhecida como uma igual – perante os homens), vejo a fatal, destruidora impiedosa de corações, a frágil e submissa, a carente, a amazona, a menininha de vidro. E nessa louca mistura vejo a mim, plagiando o poeta, uma eterna metamorfose ambulante, cheia de certezas e dúvidas, cheia de amor e ódio, cheia de paz e guerra, carinho e revolta, volúpia e equilíbio.

Cá estamos, nós mulheres, umas mais, outras menos, sangrando, sofrendo, sorrindo, vivendo, amando, aprendendo, entregando-se, machucando-se, machucando e rejeitando, tudo ao mesmo tempo, digamos de passagem; em curto espaço de tempo.

Será que dará tempo? Quero me apaixonar quantas vezes forem necessárias para aprender que estar apaixonada é maravilhoso, quero ter tempo para transar muito (com camisinha, é claro, e sem com aquele parceiro de anos onde a lealdade e a fidelidade fazem a confiança o sexo seguro), quero tempo para respirar, para ver tudo se transformar e permanecer igual!

E não menos importante, quero saber ao final de tudo o que é, afinal, ser mulher!