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Acaso?

conto

Quando falamos que nada acontece por acaso fico em dúvida sobre o motivo real do fato, talvez seja místico, espiritual, científico, natural, físico, químico, mas sempre inexplicável a causa do suposto não acaso!

Digo isso pois novamente estou apaixonada, alguns dirão, não é difícil, você é jovem, tem muito amor a dar, é linda e coisas mais, sim, são fatos, não discuto; o que venho discutir são os objetos desse amor, que insisto em não aprisionar ou esconder, pois é o que me mantêm viva, claro, não consigo amar qualquer um, sempre há o fator merecimento, sem falar na atração física que é fundamental no meu caso.

Pois é, darei uma breve introdução de minha história amorosa para demonstrar o contexto de meu coração:

Aos quatorze (14) anos, apaixonei-me pela primeira vez, o rapaz, na época apresentava-se em seus vinte e quatro (24) anos, não foi paixão a primeira vista, o moço chamou minha atenção me dando atenção; os psicanalistas de plantão logo chegarão às suas conclusões.

O primeiro beijo não poderia ter sido em situação mais lamentável, dentro do carro de minha mãe, com ela dentro (sem noção!), lógico que ela logo chamou minha atenção, ele era muito velho para mim, até então eu nem sabia a idade do fulano, apenas tinha gostado da atenção dispensada por ele a minha pessoa, ficou cerca de 4 horas conversando comigo enquanto eu ajudava minha mãe na lanchonete dela, ele não arredava o pé do balcão, isso numa noite de natal (25/12/1991).

Sim, começamos a namorar, sob os protestos de minha mãe, mas quem me segurava (?), sempre fui aquela que se basta (ledo engano, que só viria a perceber muitos anos depois!). Até aí tudo bem, mas deixa eu contar um detalhe, o rapaz nasceu no dia 13/09, mais tarde esse dado será importante.

Este namoro durou exatos 10 anos, deixando como fruto uma filha, a pequena e bela cheia de graça. Após encontros e desencontros achei por bem seguir meu caminho por outro rumo, em carreira solo, pois já não havia nada que nos unia, não que o rapaz não fosse legal ou qualquer característica desabonadora, ele era e é um cara legal, responsável, companheiro, com muitas características agradáveis, claro, desagradáveis também, sendo as piores a teimosia e o orgulho, se bem que, quem não tem essas características (eu tenho, por isso as vejo nele!)? A diferença é o grau de intensidade que elas são manifestadas.

Depois de algum tempo sozinha, percebi que talvez nunca encontrasse um cara com características tão próximas aos meus desejos de segurança, amor, atenção, companheirismo, mas não poderia continuar com ele pois não havia mais atração física (fundamental para meu desejo sexual).

Tendo em vista isso, prossegui minha vida, dando ênfase em minha carreira profissional e cuidado de minha filha. Claro, tive paqueras, até noiva fiquei, mas não por motivos nobres, apenas para aplacar a solidão e a sensação de abandono. Assim, “maltratei três rapazes legais”, mas tenho certeza, eles sobreviveram.

Agora vai o acaso, quando eu pensava em simplesmente não mais me comprometer com ninguém, para evitar danos maiores, quem aparece, uma nova paixão, e foi daquelas de fazer planos e tudo, era tudo perfeito, todos os ingredientes para um grande amor estavam presentes, inclusive o ciúme (um espinho de qualquer relacionamento apaixonado), no entanto, era ciúme direcionado a minha filha, lógico, mais dia menos dia a bomba explodiria, e explodiu.

Entre mortos e feridos, todos salvos, alguns arranhões na esperança de relacionar-se, mas nada grave. O curioso, o alvo de minha segunda grande paixão tinha como data de nascimento o dia 14/09. Pasmem, soube disso muito tempo depois, e achei gozado, mas um pulga instalou-se em minha orelha: será o acaso? O rapaz tinha todas aquelas características do primeiro, me proporcionava segurança, carinho, companheirismo, blablabla, o problema foi, ele não tinha filhos, nunca saberia dividir minha atenção com minha filha (essa foi minha conclusão).

Muito bem, bela história muitos pensarão, mas o que vem agora é a melhor parte.

Estava eu convencida de que só deveria encontrar o “amor para o resto da minha vida” na idade dos 40-50 anos, não que tenha certeza de que já o encontrei, esta certeza terei no leito de morte; um belo dia,  num lugar conhecido e frequentado rotineiramente encontro o alvo atual de minha paixão. Se tivesse sonhado com ele não seria tão perfeito, logo pensei, atração física ok! Conversamos, conversamos, conversamos, mais um ok, para o ítem conversa, temos assunto para pelo menos uns 40 anos! Sobre objetivos de vida, mais um ok, sobre história pregressa, vários oks! E o melhor, ele tem uma filha! Ítem imprescindível após o último romance. Então, cá estou, apaixonada, fazendo planos e pensando: sim, a vida é bela e o improvável acontece.

Detalhe, meu amor nasceu em 13/09! Isso é acaso? Sendo ou não sendo estou muito, muito, muito feliz. Acredito que mereço, e ele também, quero que dure o tempo necessário para tornar-se inesquecível, e quem sabe frutificar também!