O inconsciente

"O inconsciente fala – muitas vezes com embaraço, como se zombasse das nossas ilusões de percepção consciente e controle sobre nossos desejos e intenções. A consciência pode surgir apenas como frágil bolha nas águas profundas da emoção, do desejo e do medo".
"Além disso, é típico da capacidade da mente inconsciente de ser muito engenhosa na descoberta de acomodações criativas para o conflito mental. São mecanismos de defesa,que compreendem a repressão (banimento da consciência), a projeção (atribuição a outra pessoa de um aspecto indesejável de si), a racionalização (invenção de explicações falsas para as próprias motivações), a clivagem (adoção de atitudes ou sentimentos contraditórios em compartimentos separados de percepção), as defesas maníacas (modos de negar sentimentos de depressão) e muitas outras variações  sutis desses temas".
Tendo em vista este conhecimento, posso colocar-me dentre tantos indivíduos que apresentam tanto obscuros conteúdos inconscientes como diversos e sorrateiros mecanismos de defesa. Não querendo sair do meu assunto e sentimento predileto, vou posicionar meu insconciente quanto ao amor!
Há algum tempo me auto-titulava amoróloga, visto que sexóloga não agradava meus ouvidos, mas com o avançar da idade e da experiência (que diga-se de passagem, ainda não é lá essas coisas…) percebi, nitidamente, infelizmente, que sexo e amor poucas vezes estão associados.
Há algumas horas descobri que me apaixonei verdadeiramente apenas uma vez nos meus parcos 31 anos, e quem diria, apaixonei-me pelo homem errado!!! Certa vez, um amigo que ouvia as peripécias do rompimento do meu primeiro e único noivado alertou-me: "Você nunca apaixonou-se, por isso consegue terminar definitivamente e não pensar mais no assunto".
A princípio achei absurdo, logo eu, a "garota apaixonada", que não podia ficar só que logo lhe caía no colo o mais novo "futuro ex-namorado"!!! Pois é, ela , digo, eu; realmente, nunca havia estado apaixonada, nem mesmo pelo pai da minha filha. Poderíamos chamar  empolgação, carência afetivo-emocional, vício, ou o que quisermos, mas não era amor.
Afirmo isso, pois vivendo o dia de hoje percebi que quando nos apaixonamos de verdade o sentimento não acaba com uma briga, ou com um NÃO, a lembrança do ser amado permanece, apesar dos pesares e de todo resto, da prole, da ascendência, das virtudes, dos defeitos, dos vícios, e por um momento o maior desejo é de nunca ter conhecido este ser que lhe causa tanta angústia e tanto amor!
Quando se apaixona e o sentimento evolui para amor, ninguém consegue superar o ser amado, nem em belza, nem em inteligência, nem carisma, nem em arrogância, segurança, dinheiro e tudo o mais! Fico tentada a procurar um código de doença para tentar compreender o que acontece, saber quais os sintomas mais importantes e claro, como tratar esse "mal" que me assola o coração, ou seja lá qual órgão comanda este sentimnto/emoção tão bom e tão ruim ao mesmo tempo!
Afinal, alguns devem estar perguntando-se, o que tem o inconsciente a ver com tudo isso???
Digo, em alto e bom som, ele é o culpado, por nos guiar neste labirinto escuro que é amar, geramente nossas escolhas mais importantes são frutos de desejos inconscientes. Pergunto: por que amar quem não merece sequer a mais tola emoção? Como desejar uma ser insensível, egocêntrico e mesquinho??? O que devo aprender com isso?  a) Não amar?? b) Escolher apenas quem demonstra interesse real??? c) Nunca, nunca, nunca acreditar nas palavras e aparências??? d) Não abrir espaço para estranhos??? e) Todas as anteriores e outras que ainda não descobrimos?
Caso alguém tenha a resposta ficarei feliz em ouví-la, eu e meu inconsciente aloprado não estamos encontrando a saída do labirinto no qual entramos, provavelmente buscando algum pote de ouro no fim do arco-íris, ou tentando encontrar Papai Noel.
A escolha do conjugê leva em conta muitos aspectos, geralmente inconscientes, relacionados aos pais, no meu caso diria, pai. Peraí, meu pai sempre foi ausente ou até inexistente, procuro pensar que ele não me abandonou, simplesmente me esqueceu, pois quem abandona toma alguma atitude, claro, ele teve suas razões, agora, quando peceberei que conquistar alguém indisponível e asentimental não tornará minha ferida menos dolorosa!? Pensando de forma otimista,  devo aprender primeiramente o que se passa no meu inconsciente, pois na verdade é ele, e sempre ele que manda, em você e em tudo na sua bendita/maldita vida!!!