Quando a razão obedece o coração

conto

Até hoje me orgulhei, ou pelo menos não me puni por minha precocidade; “ser expulsa de casa” com 15 anos não é louvável, nem mesmo sábio, mas no meu caso parece que não foi o pior.

Engravidar aos 19 e parir com 20 anos também não foi o pior que aconteceu, na verdade foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido pois me amadureceu, por vezes me enfureceu, e algumas me envergonhou, mas até aqui, passados 11 anos ainda não classifico como a maior das precocidades.

Não bastasse todo esse caminho tortuoso e rochoso minha razão decidiu por ela mesma dar ouvidos ao meu coração e assim, depois de tudo dito e escrito resolvi me rebelar novamente, agora contra meu pai adotivo e também pai de minha filha; alguns podem pensar, 10 anos de diferença não é nada, mas naquele contexto foi providencial, ele era o maduro, o adulto, era nele que a confiança devia pairar, no entanto, como disse, meu coração tomou as rédeas, e num golpe de estado proclamou que eu precisava de amor, e amar, apenas conforto e proteção não seriam suficientes, minha alma necessitava do tão famigerado amor; hoje eu sei que era paixão e aventura que ela procurava.

Daquele dia em diante minha razão foi cegada pela ânsia desesperada de sentir amor e ser amada, para isso frequentei baladas, bares, jantares, bailes, conhecendo e sendo conhecida, beijando e sendo beijada, apaixonando-se às vezes, mas aquele amor, aquele idealizado parece que não estava ao meu alcance.

Pensei muitas vezes que eu não mais merecia ser agraciada por isso, tendo em vista meu passado torto e rochoso, mas, como diz o ditado, a esperança é a última que morre! Encontrei muitos parceiros, mas nenhum era o escolhido, alguns tiveram o prazer ou o desprazer de conhecer minha intimidade, mas as exigências emocionais auto impingidas foram tantas que cá estou escrevendo esse desabafo.

O pior, a que me referi, é que encontrei o amor, amei, me esbaldei, vivi emoções intensas, até proibidas para cardíacos descompensados, e por imaturidade, ingenuidade e talvez precocidade coloquei tudo a perder, fui ansiosa, queria tê-lo ao meu lado, não desgrudar, fundir-me a ele, mas isso, quem aceita? Quem suportaria, nem mesmo eu; e assim como coloquei-o na minha vida, tirei-o, mas, agora descobri, depois que se ama não há mais paz no coração e sim, amor.

Já ouviram a expressão amor bandido? Eu brado em alto e bom som, por que o coração não escolhe o amor mediante às orientações da razão?? Qual é o problema em racionalizar o sentimento? Quando os inventores e pesquisadores químicos descobrirão a pílula do desamor?

Pior que viver sem amor é amar quem não te ama, ou que ama mais ou menos, com intensidades e formas discrepantes; amar e não ter certeza de ser correspondido é pior que não amar! As más línguas podem gritar: que provas e certezas você quer? Só temos certeza da morte e nada mais? O que mais queres fêmea desamparada??

Direi, plagiando o poeta: só sei que nada sei, meu coração não entende a língua dos sinais, nem ao menos o idioma dos anjos, apenas entende que ama aquele ser humano, cheio de defeitos e talvez com uma única qualidade, àquela pela qual me apaixonei.

Entendi a expressão: AGORA AGUENTA CORAÇÃO!!!!!!

2 comentários

  1. A precosidade em fugir de casa com 15 anos com certeza fez de você uma mulher forte, que sempre valorizou o amor como o sentimento mais nobre entre as pessoas. Ao atirar-se no universo do desconhecido, sem medo de ser feliz, o que muitos não tem coragem de fazer, você descobriu que a vida passa por caminhos, as vezes estreitos e sem volta, mas que deixa marcas profundas e eternas, principalmente quando vivenciamos o amor verdadeiro. Parabens, vc sempre me surpreende com seus textos de pura verdade. bjs.. Luiz Gonzaga