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Métodos anticoncepcionais disponíveis – Qual é o seu?

anticoncepcionais

A gravidez indesejada por ser prevenida por diferentes métodos, chamados de métodos anticoncepcionais ou contraceptivos.

A contracepção pode ser dividida em métodos hormonais e não hormonais. São considerados contraceptivos reversíveis de longa duração o acetato de medroxiprogesterona de depósito, os implantes subdérmicos, o DIU com cobre e DIU com hormônio (sistema intrauterino liberador de levonorgestrel).

Métodos não hormonais

1. Coito interrompido: é a retirada do pênis da vagina antes da ejaculação. As vantagens são óbvias: disponibilidade imediata e custo zero. O pênis deve ser completamente retirado da genitália externa da mulher. Reduz a transmissão do vírus HIV em casais mutuamente monogâmicos. Estima-se que eficácia varie de 4 gestações por 100 mulheres no primeiro ano de uso ideal a 27 por 100, com seu uso incorreto.

2. Amamentação: O ato de amamentar inibe a ovulação. A sucção do lactente eleva os níveis de prolactina e reduz a secreção do hormônio de liberação de gonadotrofina (GnRH) pelo hipotálamo, o que diminui a liberação de hormônio luteinizante (LH), inibindo a maturação folicular. Para que haja máxima segurança contraceptiva, os intervalos de amamentação não devem ultrapassar 4 horas durante o dia e 6 horas á noite. As taxas de gravidez descritas em 6 meses são de 0,45 a 2,45% nos casais que usaram apenas esse método. Deve-se usar outro método de contracepção a partir de 6 meses após o parto ou mais cedo, se a menstruação retornar.

3. Conhecimento da fertilidade: a abstinência periódica, descrita como contracepção natural ou conhecimento da fertilidade, exige que evitem as relações sexuais durante o período fértil na época próxima da ovulação. Vários métodos são usados, como: o rítmico (tabelinha), o muco cervical ( método de Billings) e o sintotérmico (combinação dos dois primeiros). No método do muco cervical, a mulher examina o muco cervical com os dedos para prever o período fértil. Sob influência estrogênica, o muco aumenta em quantidade e torna-se progressivamente mais fluido e elástico, até o dia que alcança o pico; a partir daí, sob influência da progesterona o muco torna-se escasso e espesso (seco) até o início da próxima menstruação. O sexo é permitido durante os dias secos logo após a menstruação até o muco ser detectado, depois deve abster-se até o quarto dia após a máxima quantidade de muco.

No método sintotérmico o primeiro dia de abstinência é previsto pelo calendário, diminuindo-se 21 da duração do menor ciclo dos últimos 6 meses, ou pelo primeiro dia que o muco foi detectado, o que ocorrer primeiro. O fim do período fértil é previsto pela temperatura basal. A mulher registra a temperatura pela manhã e reinicia a atividade sexual 3 dias após a elevação da temperatura, a elevação da temperatura indica produção de progesterona após a ovulação. A taxa bruta de insucesso em 12 meses é de 24 gestações por 100.

4. Preservativo: em geral, os preservativos modernos são feito de látex, embora preservativos feitos com intestino de animal ainda sejam vendidos e preferidos por algumas pessoas, pois podem proporcionar melhor sensibilidade. Também existem os novos preservativos produzidos de poliuretano ou os elastômeros sintéticos, os quais são mais finos, inodoros, transparentes e transmitem o calor do corpo.

O risco de ruptura do preservativo é de aproximadamente 3% e está relacionado ao atrito, derivados de petróleo como lubrificantes reduzem a resistência dos preservativos.
A gonorreia, o ureaplasma e a doença inflamatória pélvica (DIP) e sua seqüela (infertilidade tubária) são diminuídos com o uso regular de métodos de barreira. Em teste in vivo, Chlamydia trachomatis, herpes vírus tipo 2, HIV e hepatite B não penetram em preservativos de látex, mas atravessam preservativos feitos de intestino. O preservativo de látex pode causar anafilaxia com risco de vida em qualquer um dos parceiros alérgicos ao látex.
O preservativo feminino é recomendado para prevenção de gravidez e de DST, inclusive do HIV. A ruptura do preservativo feminino é menos freqüente que a do masculino. Como no preservativo masculino, as taxas de insucesso diminuem á medida que se ganha experiência, as taxas de gestação com preservativo feminina em uso incorreto é de 21 por 100, no uso ideal é 5 por 100; em relação ao preservativo masculino a taxa de gestação no uso incorreto é de 15 por 100 e no uso ideal é 2 por 100.

5. Espermicidas vaginais: combinam espermicida químico, nonoxinol-9 (N-9) ou octoxinol com base de creme, geléia, espuma aerossol ou comprimido que se transforma em espuma, película, supositório ou esponja de poliuretano. O nonoxinol-9 imobiliza os espermatozoides. Tem risco maior de lesões vaginais pois o nonoxinol-9 é tóxico para os lactobacilos da flora vaginal. A taxa de gravidez em mulheres em uso incorreto é de 29 em 100 e uso ideal 18 em 100. Deve ser usado associado ao diafragma para obter melhor eficácia.

6. Diafragma: é uma mola circular recoberta por borracha de látex fina, podem ter borda espiral ou plana . É usado um conjunto de diafragmas medidores de vários tamanhos, e o diafragma medidor é introduzido e verificado pelo toque. Os tamanhos 65, 70 ou 75 adaptam-se a maioria das mulheres. O diafragma deve ser inserido algumas horas antes da relação sexual associado a uma colher de espermicida na parte interna da cavidade do diafragma, se houver outra relação deve-se colocar mais espermicida sem retirar o diafragma. Ele deve ser mantido no lugar no mínimo por 6 horas após a relação, para que possibilite a imobilização dos espermatozoides. O uso prolongado durante múltiplas relações sexuais pode aumentar o risco de cistite.

7. Contracepção intrauterina (DIU): esta indicado também para quem nunca teve filho, adolescentes e mulheres imunodeprimidas (HIV), há dois tipos de DIU (dispositivo intrauterino): T380A de cobre e o sistema liberador (SIL) de levonorgestrel (Mirena®) .

O DIU de cobre possui 380 mm de cobre e é aprovado para uso contínuo por 10 anos; o SIL de levonorgestrel (Mirena®) está aprovado por 5 anos. Os DIU causam a formação de prostaglandinas no útero compatível com contração do músculo liso e inflamação, a alteração do ambiente intra-uterino interfere na passagem dos espermatozoides através do útero, impedindo sua fertilização.

O efeito contraceptivo do DIU de levonorgestrel (MIrena®) é consequência do espessamento e da escassez do muco, da atrofia do endométrio e da resposta inflamatória intra-uterina. Aproximadamente 85% dos ciclos são ovulatórios.

As taxas de gravidez com T380A de cobre e SIL de levonorgestrel são inferiores a 0,2 por 100 mulheres/ano, T380A de cobre em uso incorreto 0,8 em 100 e em uso ideal 0,6%, o Mirena® tanto uso incorreto quanto ideal 0,1 em 100 mulheres por ano.
Além de excelente contracepção sem a necessidade do esforço da usuária,  pela liberação hormonal o DIU de levonorgestrel (Mirena®) reduz o fluxo menstrual e as cólicas.
O risco e infecção é maior nos primeiros 20 dias após a introdução do DIU, após esse período a taxa de infecção é de 1,6 casos para cada 1.000 mulheres/ano. A única infecção pélvica inquestionavelmente relacionada ao DIU é a actinomicose, as taxas de colonização elevam-se nos dispositivos plásticos, sendo menores nos DIU que liberam cobre . Antibioticoterapia e remoção do DIU devem ser realizados em mulheres com sintomas de infecção uterina. Nos casos de doença inflamatória pé;lvica em usuárias de DIU retira-se o DIU se em 72 horas após início do tratamento não houver melhora.
Os DIU e a esterilização tubária (laqueadura) aumentam as taxas de gravidez ectópica (na trompa) caso ocorra gravidez, mas a taxa de qualquer gravidez é tão baixa que as taxas de risco da usuárias é inferior ao das não usuárias. Não há aumento da infertilidade associada a fatores tubários em mulheres sem filhos que usaram DIU de cobre.

A taxa de expulsão do T380A de cobre é 2,5 por 100 mulheres/ano no primeiro ano, a taxa cumulativa é de 8 por 100 mulheres/ano após 8 anos. As taxas de expulsão do SIL (Mirena®) são 4,2%  no primeiro e segundo ano, 1,3 % no terceiro ao quinto e 0% no sexto e sétimo. O risco de perfuração está relacionado ao profissional, quando introduzido por pessoa experiente seu risco é da ordem de 1 por 1.000 inserções.
As contraindicações ao uso de DIU são: gravidez, infeção puerperal, doença inflamatória pélvica ou doença sexualmente transmissível atuais ou nos últimos 3 meses, câncer de endométrio ou de colo uterino, hemorragia genital nos casos de DIU de cobre, miomas que alteram a cavidade uterina. Alergia ao cobre e doença de Wilson são contraindicados ao DIU de cobre. Infecção pelo HIV não é considerada contraindicação.

Métodos hormonais

Os contraceptivos hormonais contêm hormônios sexuais femininos, estrogênio e progesterona (progestágeno) ou apenas um progestágeno sem estrogênio.

Podem ser administrados na forma oral, adesivo, anel vaginal, implante e injeção. Podem ser monofásicos, com administração da mesma dose de estrogênio e progestágeno todos os dias, ou multifásico, possuem doses variáveis de hormônios durante um ciclo de 21 ou 24 dias. Outras opções são o ciclo estendido (uso de pílula ativa durante 3 ciclos) ou contínuo ( uso de pílula ativa indefinidamente por 1 ano ou mais).
Os esteróides sexuais são caracterizados pela afinidade por receptores específicos de estrogênio, progesterona ou androgênico (hormônio masculino), tendo efeitos biológicos em diferentes sistemas.
Os efeitos anti fertilidade dos contraceptivos hormonais combinados com estrogênio e progesterona são a inibição da ovulação, que pode ser conseguida com doses altas de estrogênio ou progesterona, ou doses baixas dos 2 hormônios associados.

Os contraceptivos orais combinados, adesivos e anel vaginal inibem os níveis  de FSH e LH, diminuindo a capacidade da hipófise (glândula do cérebro) produzir esses hormônios. Assim, os folículos (onde moram os óvulos) não amadurecem, a produção de estrogênio é pequena e não há pico de LH no meio do ciclo, o que inibe a ovulação.
Novos contraceptivos orais de baixa dosagem não produzem bloqueio tão intenso e determinam níveis normais de FSH e LH, o que torna a ovulação um pouco mais provável caso haja esquecimento de pílula ou associação de medicamento que reduza os níveis sangüíneos dos hormônios contraceptivos.
A taxa de gravidez durante o uso regular de contraceptivo oral combinado é de apenas duas a três por 100 mulheres/ano. Os contraceptivos orais que contêm apenas progestágeno são menos eficazes que os contraceptivos combinados de estrogenio-progesterona, com resultados de 3 a 4 gestações por 100 mulheres/ano.

Contracepção hormonal masculina: a mesma inibição dos hormônios sexuais que bloqueiam a ovulação em mulheres inibe a formação de espermatozóides em homens, mas há perda da libido (desejo sexual) e risco de comprometer o desempenho sexual. A administração isolada de testosterona é capaz de reduzir a produção de espermatozoides a níveis muito baixos, mantendo normais a libido e o desempenho sexual.

Esterilização

A esterilização cirúrgica é o método mais comum de controle de fertilidade usado por casais. A idade inferior a 30 anos no momento da esterilização, os conflitos no casamento, o divórcio e um novo relacionamento são previsões de arrependimento em relação a esterilização, o que pode levar o pedido de reversão.

Feminina: existem 5 procedimentos disponíveis:

Esterilização tubária no momento da cesareana ou outra operação abdominal
Minilaparotomia pós-parto, logo depois do parto vaginal, no umbigo
Minilaparotomia não relacionada ao parto, na região pélvica (cicatriz no local da cicatriz da cesareana)
Laparoscopia: anel galopino, clipe de Hulka e clipe de Filshie
Histeroscopia: implante de aço inoxidável flexível com aspiral de níquel-titânico (Essure)
A técnica cirurgica escolhida em geral é a técnica de Pomeroy ou Pomeroy modificada; que tem taxa de fracasso de 1 a 4 gravidez por 1.000 casos.

Masculina: a vasectomia só é eficaz depois de todos os espermatozóides são eliminados do trato reprodutivo. A probabilidade cumulativa de fracasso foi de 7,4 por 1.000 procedimentos em 1 ano e 11.3 no quinto ano.

Para informações personalizadas procure um médico. Previna-se! 😉🔥❤️

Fonte: Berek JS. Berek e Novak. Tratado de Ginecologia. 15 ed. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2014.