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Entenda o que é o HPV e como se prevenir do câncer de colo do útero

 

A infecção genital pelo papilomavírus humano (HPV) é a doença sexualmente transmissível mais comum no mundo; aproximadamente 6 milhões de pessoas são diagnosticadas por ano, ou seja, 9 a 13% da população mundial (630 milhões de pessoas) estão infectadas pelo HPV. Dados de 2007 a 2010 dos Estados Unidos da América (EUA), observaram que 41,9% das mulheres entre 18 e 59 anos apresentavam infecção genital pelo HPV.

O HPV inclui um grupo de mais de 150 tipos de vírus, mais de 40 tipos de HPV infectam a região genital de homens e mulheres. Esses tipos podem ser classificados em alto-risco, provavelmente alto risco, baixo risco e risco indeterminado para desenvolver câncer do colo uterino. Os tipos de baixo risco (6 e 11) são associados com verrugas genitais (condiloma acuminado) em homens e mulheres.

Papilomavírus humano (HPV) de alto risco (16 e 18) pode evoluir para pré-câncer do colo uterino, chamadas neoplasias intraepiteliais de alto e baixo grau, assim como lesões anais. O HPV é a principal causa do câncer de colo uterino, terceiro câncer mais frequente entre as brasileiras, atrás apenas do câncer de mama e do câncer colorretal (intestino).

O risco de infecção genital pelo HPV é 8,9 vezes maior em mulheres com mais de 11 parceiros sexuais durante a vida comparadas com mulheres com 0 a 1 parceiro sexual durante a vida. Comparando mulheres que usam preservativo durante o sexo; aquelas que não usam preservativo tem 2 vezes mais infecção genital pelo HPV. Mulheres que se auto identificam como homossexuais ou bissexuais tem 72% mais infecção HPV que aquelas que se auto identificam como heterossexuais.

Durante os últimos 10 anos observou-se aumento do número de carcinoma de células escamosas orofaríngeo associado com HPV, antigamente relacionado ao uso de álcool e tabagismo. Acredita-se que esse aumento de frequência de infecção orofaríngea pelo HPV tenha relação com a prática de sexo oral sem proteção. Um grande estudo sobre prevalência de HPV oral no Estados Unidos da América (EUA) obteve amostra de 5.579 homens e mulheres entre 14 e 69 anos, destes, 6,9% apresentavam HPV oral no momento do estudo.

A presença de HPV é indispensável mas não suficiente para induzir carcinogênese. Outros fatores são importantes à progressão para câncer, como HPV de alto risco (16 e 18), carga viral elevada, infecção persistente (mais de 2 anos), imunossupressão (baixa da defesa), tabagismo, outras doenças sexualmente transmissíveis e fatores genéticos que impedem a supressão ou eliminação do HPV pelo sistema imunológico.

As lesões precursoras e o câncer de colo uterino são afecções que acometem principalmente mulheres adultas, no entanto, tem-se observado aumento do risco de desenvolvimento da neoplasia intra-epitelial cervical (NIC) também em adolescentes com iniciação precoce da atividade sexual.

A etapa inicial ocorre a partir da inoculação do HPV durante a relação sexual com pessoas infectadas pelo vírus. O HPV é organismo intracelular obrigatório que apresenta predileção por células metabolicamente ativas. Ao penetrar nas células, o vírus perde sua capa de proteína e o seu genoma (DNA) atinge o núcleo da célula hospedeira. O DNA viral pode ser encontrado na forma episomal (no citoplasma), em lesões intra-epiteliais de baixo grau (LIEBG), ou integrado ao DNA do hospedeiro, nas lesões de maior gravidade.

Previna-se contra o câncer de colo uterino e anal usando preservativo, apesar dos estudos observarem que a proteção contra o HPV se faz apenas na área coberta pelo preservativo, essa proteção pode chegar a 50 a 70 %. Para prevenir-se do HPV orofaríngeo é recomendado o uso de Dental Dam (membrana de látex inicialmente usada por dentistas e já introduzida no Brasil como calcinha protetora) ou recortando as extremidades de um preservativo masculino (com sabor ficará mais gostoso), cortando também longitudinalmente abrindo o preservativo e simulando o Dental Dam original.

Sexo é bom, mas pode ser ótimo, principalmente se for seguro. ❤️