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Contraceptivo oral e risco de trombose

O risco de tromboembolismo venoso é maior no início do tratamento com anticoncepcionais hormonais e cai com o tempo. Para as mesmas doses de estrogênios, a drospirenona apresenta riscos mais altos do que o levonorgestrel.

Essas são algumas das conclusões de dois artigos publicados no British Medical Journal em 2009.

O estudo realizado na Universidade de Copenhague, na Dinamarca, durante um período de dez anos, analisando um total de 10,4 milhões de mulheres-ano, incluindo 3,3 milhões  mulheres-ano em uso de contraceptivos hormonais.  As mulheres tinham entre 15 e 49 anos e nenhuma apresentava história de doença cardiovascular ou oncológica.

No período, ocorreram 4.213 eventos trombóticos (trombose venosa profunda, trombose de veia porta, veia cava ou veia renal, embolia pulmonar ou trombose não especificada). Entre as usuárias de contraceptivos orais, ocorreram 2.045 eventos, o que equivale a um risco absoluto de 6,29 por 10.000 mulheres-ano. Entre as não usuárias, o risco absoluto foi de 3,01 por 10.000 mulheres-ano.

As mulheres que usavam contraceptivo oral apresentaram um risco de trombose maior no primeiro ano de uso (razão de taxa: 4,17) do que após quatro anos de uso (razão de taxa: 2,76).

Outra conclusão do estudo foi que quanto menor a dose de estrogênio, menor o risco de trombose (uma redução de 30-40 µg para 20 µg reduziu o risco em 18%).

Em relação a produtos combinados com levonorgestrel, a combinação com noretisterona apresentou um risco similar de trombose (razão de taxa: 0,98), enquanto outras combinações apresentaram riscos maiores: norgestimato (1,19), desogestrel (1,82), gestodeno (1,86), drospirenona (1,64) e ciproterona (1,88).

O uso de contraceptivos orais contendo apenas levonorgestrel ou noretisterona não se associou a um aumento no risco de trombose (razão de taxa: 0,59). O uso de dispositivos intrauterinos (DIU Mirena) com liberação de hormônios também não se associou a um risco aumentado de trombose.

Na mesma edição da revista, outro estudo holandês chegou a conclusões comparáveis.

“Pílulas com levonorgestrel ou noretisterona, e com a menor dose possível de estrogênio, devem ser a primeira opção”, escreve o editorialista Nick Dunn, da University of Southampton, na Inglaterra.

“Todos os progestogênios mais recentes, com a possível exceção do norgestimato, parecem agora estar em desvantagem em relação ao risco de tromboembolismo”, comenta.

Para pacientes com predisposição a tromboembolismo, no entanto, pílulas com apenas um progestogênio ou um dispositivo intrauterino com liberação hormonal parecem ser uma primeira opção adequada”, concluem os autores.

Lidegaard Ø, Løkkegaard E, Svendsen AL et al. Hormonal contraception and risk of venous thromboembolism. BMJ 2009;339:b2890.

Vlieg AvH, Helmerhorst FM, Vandenbroucke JP et al. The venous thrombotic risk of oral contraceptives, effects of oestrogen dose and progestogen type. BMJ 2009;339:b2921.