Candidíase de repetição e antioxidantes

Estima-se que 75% das mulheres desenvolverão uma candidíase vulvovaginal durante a vida. Aproximadamente 5-8% das mulheres experimentam candidíase vulvovaginal recorrente, que é definida como quatro ou mais episódios de candidíase vulvovaginal ocorrendo dentro de um período de 12 meses.

A candidíase vulvovaginal recorrente é uma causa comum de incômodo em mulheres em todas os estratos da sociedade afetando milhões de mulheres ao redor do mundo.

A vulvovaginite aguda por cândida e a candidíase vulvovaginal recorrente são doenças causadas principalmente por fungos do gênero Cândida. Estas leveduras (fungos), em particular Candida albicans, são capazes de colonizar o corpo humano sem produzir sinais de doença em condições de equilíbrio.

A resposta imunológica celular sistêmica ou local diminuídas e defeito da função dos neutrófilos (células de defesa do sangue) podem aumentar a susceptibilidade para infecções por C. albicans, sugerindo que condições clínicas tais como exposição ao estresse crônico, diabetes mellitus ou micronutrientes antioxidantes deficientes que alteram o bom funcionamento do sistema imunológico podem facilitar a ocorrência de candidíase vulvovaginal recorrente.

No estudo, da Faculdade de Medicina de Maringá, procurando relacionar os fatores de risco para candidíase vulvovaginal, comprovaram estatisticamente que mulheres com cultura positiva para fungo, com ou sem sintomas, na forma aguda  ou recorrente (mais de 4 infecções nos últimos 12 meses), apresentavam maior associação com metabolismo anormal da glicose e resistência a insulina (pré-diabetes).

Além disso, mulheres com candidíase vulvovaginal recorrente apresentaram menores níveis de cortisol comparadas as mulheres com cultura positiva para fungo e nenhum sintoma e mulheres do grupo controle (cultura negativa e sem sintomas).

No mesmo estudo perceberam que mulheres com candidíase vulvovaginal recorrente tinham menor nível de capacidade antioxidante que os grupos controles (sem sintomas e cultura negativa), com vulvovaginite por cândida aguda e cultura positiva para cândida sem sintomas; assim como o nível de linfócitos T helper e T citotóxico foram menores nos grupos com cultura positiva de cândida com ou sem sintomas agudos ou recorrentes.

O preventivo (Papanicolau) tinha processo inflamatório similar em mulheres com candidíase vulvovaginal recorrente e as mulheres do grupo controle, enquanto que candidíase vulvovaginal aguda e cultura positiva por fungos sem sintomas tinham maior processo inflamatório que o grupo controle.

A bacterioscopia mostrou que mulheres com candidíase vulvovaginal recorrrente tinham de forma similar normal Lactobacillus spp na microbiota vaginal assim como o grupo controle. Além disso, mulheres com candidíase vulvovaginal aguda mostravam menos lactobacilos vaginais.

A conclusão deste estudo foi que níveis de cortisol pela manhã e a capacidade antioxidante foram menores em mulheres com candidíase vulvovaginal recorrente que em mulheres com cultura negativa e sem sintomas para candida e que mulheres apenas com cultura para fungos positiva, mas sem sintomas.

Sugerindo que estresse crônico e redução da capacidade antioxidante podem ser fatores específicos que predispõe a candidáiase vaginal recorrente.

Além disso, outros fatores como diabetes melitus e resistência a insulina estão relacionados a cultura positiva para candida albicans com ou sem sintomas.

Níveis menores de cortisol pela manhã e hiporesponsividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal tem sido relacionados com estresse crônico, além disso, estresse pode aumentar o risco de comprometimento da função do sistema imunológico.

Benefícios para a saúde atribuídos a antioxidantes inclui redução do risco de doença coronariana, doenças vasculares e alguns tipos de câncer; essas doenças crônicas parecem resultar de dano oxidativo celular, causado por agentes pró-oxidativos, como radicais livres, afetando lipídios, proteínas e DNA.

Os antioxidantes dietéticos podem proteger contra esses eventos oxidativo, nos casos em que os níveis de antioxidantes estejam insuficientes. É possível que um aumento da defesa antioxidante fornecidos por vitaminas e minerais dietéticos podem prevenir a candidíase vulvovaginal recorrente.

Não pratique a automedicação, fale sempre com seu médico antes de tomar qualquer medicação.