Por que precisamos dormir?

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Uma vez que o sono e a vigília são influenciados por diferentes estímulos de neurotransmissores no cérebro, alimentos e medicamentos que alteram o equilíbrio desses estímulos são capazes de afetar nosso nível de alerta ou sonolência ou a qualidade do nosso sono. Bebidas cafeinadas, certas drogas, medicamentos anorexígenos e descongestionantes nasais estimulam algumas partes do cérebro e causam insônia.

Muitos antidepressivos suprimem o sono REM (sono de movimento rápido dos olhos, sono em que sonhamos). Grandes fumantes (os que fumam mais de 25 cigarros por dia) geralmente têm alteração na arquitetura do sono, com redução do sono profundo (sono que promove a sensação de descanso) e do sono REM. Eles também tendem a acordar 3 a 4 horas depois de dormirem devido à abstinência de nicotina. Muitas pessoas que sofrem de insônia tentam resolver o problema com álcool. Se por um lado o álcool os ajuda a atingir mais rapidamente os estágios 1 e 2 do sono, (fases de sono superficial, o que muitos chamam de “sono leve”); por outro, rouba-lhes o sono REM e os estágios 3 e 4, que são os estágios mais restauradores.

Portanto, o álcool tende a manter o indivíduo nos estágios superficiais de sono, nos quais podem ser acordados facilmente.

Durante o sono REM, ocorre redução da capacidade de regulação da temperatura corporal. Por essa razão, temperaturas ambientais altas ou baixas podem interromper este estágio do sono. Se o sono REM é interrompido numa noite, nossos corpos não seguem a progressão cíclica do sono normal na próxima vez que adormecermos.

DE QUANTAS HORAS DE SONO NECESSITAMOS?

A quantidade de sono de que uma pessoa necessita depende de vários fatores incluindo a idade. Lactentes (bebes que mamam no peito) geralmente requerem cerca de 16 horas por dia, enquanto adolescentes necessitam de nove horas em média. Para a maioria dos adultos, 7 a 8 horas por noite parece ser a melhor quantidade de sono, embora haja pessoas que necessitam de apenas cinco horas e outras que precisam de dez horas de sono por dia.

Mulheres nos primeiros três meses da gravidez necessitam freqüentemente de várias horas adicionais de sono.

A quantidade de sono de que uma pessoa necessita aumenta se ela estiver privada de sono em dias anteriores. Dormir pouco cria um “débito de sono” que necessita ser quitado para manutenção do bom funcionamento do organismo; caso contrário, ele irá inevitavelmente cobrar este débito.

Parece ser impossível nos adaptarmos a dormir menos do que necessitamos. Embora possamos nos acostumar a um esquema com privação de sono, isto não acontece sem comprometimento do nosso julgamento, do tempo de reação e de outras funções que requerem perfeito estado de alerta.

As pessoas tendem a ter sono mais leve e por períodos mais curtos à medida que envelhecem, embora geralmente necessitem da mesma quantidade de sono de que precisaram quando eram adultos jovens. Cerca da metade de todas as pessoas acima de 65 anos têm problemas frequentes com o sono, como insônia. Os estágios de sono profundo (3 e 4) em muitos idosos se tornam mais curtos ou ausentes.

Estas alterações podem fazer parte do próprio envelhecimento ou resultar de problemas médicos comuns no idoso e/ou de medicações usadas no tratamento desses problemas.

Se um indivíduo se sente sonolento durante o dia, mesmo durante atividades maçantes, muito provavelmente ele não dormiu o suficiente durante a noite. Se ele rotineiramente adormece dentro de cinco minutos depois de deitar-se, provavelmente tem grave privação de sono e, possivelmente, um distúrbio do sono. Microcochilos ou episódios muito breves de sono, em situações que normalmente requerem o estado de alerta, são outra marca de privação de sono. Em muitos casos, os indivíduos, nessa situação, não têm consciência da ocorrência desses microcochilos.

Muitos estudos têm demonstrado que a privação de sono é perigosa. Pessoas privadas de sono, quando testadas em simulador de direção de veículos ou quando avaliadas sobre o seu desempenho em uma manobra de coordenação mão-olho, tiveram uma performance igual ou pior do que aquelas sob ação de tóxicos.

Embora estejamos ainda tentando responder com exatidão à razão pela qual uma pessoa necessita dormir, estudos com animais mostraram que o sono é necessário para a sobrevivência. Alguns estudos sugerem que a privação
de sono afeta negativamente o sistema imunológico.

O sono parece necessário para que nosso sistema nervoso funcione normalmente. O sono muito curto deixa-nos no dia seguinte sonolentos e incapazes de nos concentrarmos. Também nos leva a falhas de memória e de desempenho físico e reduz nossa habilidade de realizar cálculos matemáticos. Se a privação de sono continua, podem-se desenvolver alucinações e alterações do humor.

Alguns pesquisadores acreditam que o sono dá aos neurônios usados durante a vigília a chance de se desligarem e de serem reparados. Sem sono, os neurônios podem sofrer diminuição de energia ou então ser poluídos por subprodutos da atividade celular normal que os levam a funcionar imperfeitamente. O sono também dá ao cérebro a chance de exercitar importantes conexões neuronais que, de outro modo, poderiam se deteriorar por falta de atividade.

O estágio delta ( estágios 3 e 4 – sono profundo) coincide com a liberação do hormônio do crescimento em crianças e adultos jovens. Muitas células do corpo também apresentam aumento da produção de proteínas e redução do seu catabolismo durante o sono profundo. Isto pode estar relacionado aos processos de reparo de danos celulares.

A atividade em partes do cérebro que controlam as emoções, processos de tomada de decisão e interações sociais está drasticamente reduzida durante o estágio delta (sono profundo), sugerindo que este estágio do sono possa ajudar o indivíduo a manter o funcionamento emocional e social ótimo durante a vigília.

Normalmente, despendemos mais de duas horas por noite sonhando. Ainda não sabemos muito por que e como sonhamos. Sigmund Freud acreditava que os sonhos fossem uma ‘válvula de segurança’ para desejos inconscientes. Somente depois de 1953, quando pesquisadores descobriram o REM (movimento rápido dos olhos) em crianças dormindo, é que se começou a estudar cuidadosamente o sono e o sonho. Logo, demonstrou-se que sonhos ocorrem quase sempre durante o sono REM. A maioria dos mamíferos e aves apresenta evidências de sono REM, o que, por outro lado, não foi demonstrado em répteis e outros animais de sangue frio.