QUAL SUA ORIENTAÇÃO SEXUAL – Parte I? Resultados da pesquisa Antropológica

Até o momento foram  respondidos 639 questionários, os dados sociodemográficos são representados nos gráficos a seguir. Em relação à escolaridade, a maioria, 28,8% (184) tem ensino superior completo; 27,7% (177) referem ter o ensino superior incompleto, 23,2% (148) cursaram pós graduação/MBA; 11,6% (74) tem ensino médio completo, 2,3% (15), ensino técnico, 1,4% (9), ensino médio incompleto; 0,6% (4) ensino fundamental e 0,5% (3) Doutorado. GRAFICO 1

 

Gráfico 1. Qual o nível de escolaridade mais alto que você completou?

 

 

 

Quanto à raça/etnia, 74,2% (474) responderam branco, 19,4% (124) responderam negro ou mulato, 2,8% (18) responderam hispânico, 2,7% (17), indígena e 0,9% (6) responderam asiático. GRAFICO 2

 

Gráfico 2. Qual raça/etnia melhor descreve a sua descendência?

Os participantes da pesquisa eram na sua maioria do sexo biológico feminino, ou seja, possuíam genitália feminina 76,8% (491), enquanto os que eram do sexo biológico masculino, ou seja, possuíam genitália masculina eram 23,2% (148). GRAFICO 3

 

Gráfico 3. Qual é o seu sexo biológico (qual o órgão genital você possui)?

Quando perguntados sobre identidade de gênero, ou seja, com que gênero, feminino ou masculino, gostaria de ser identificado, não considerando o sexo biológico em si, 76,5% (489) identificam-se com o gênero feminino e 23,5% (150) com o gênero masculino. GRÁFICO 4

 

Gráfico 4. Com que gênero você se identifica (como quer ser reconhecido socialmente)?

 

Questionando-se sobre a atração sexual, 81,1% (518) referiram que sentem atração sexual pelo sexo biológico diferente do seu, ou seja, são heterossexuais; 11% (70) referem que sentem atração sexual por ambos os sexos, portanto, bissexuais; 6,1% (39) referem que sentem atração sexual por pessoas do mesmo sexo biológico que o seu, assim, homossexuais; e 1,9 (12) não sabem dizer pois estão inseguros quanto a isso. GRÁFICO 5

 

Gráfico 5. Qual sua orientação sexual (por quem você se sente atraído sexualmente)?

Investigando-se sobre parceria sexual, 65,6% (419) referem ter um parceiro sexual fixo e 34,4% (220), não tem um parceiro sexual fixo. GRÁFICO 6

Gráfico 6. Tem parceiro sexual fixo?

A faixa etária dos pesquisados girou entre 14 e 67 anos, seguindo os critérios de classificação da UNICEF, 7,5% (48) dos participantes são adolescentes, ou seja, tem entre 10 e 19 anos, sendo, 0,2% (1) com 14 anos, 0,9% (6) com 16 anos, 0,3% (2) com 17 anos, 2,8% (18) com 18 anos e 3,3% (21) com 19 anos.

Estavam, no momento da pesquisa, na faixa etária de 20 a 29 anos 44,1% (282) dos pesquisados, sendo 4,7% (30) com 20 anos, 6,9% (44) com 21 anos, 5,8% (37) com 22 anos, 2,7% (17) com 23 anos, 5,5% (35) com 24 anos, 3,6% (23) com 25 anos, 4,4% (28) com 26 anos, 3,6% (23) com 27 anos, 3,9% (25) com 28 anos e 3,1% (20) com 29 anos.

Na faixa etária de 30 a 39 anos, estavam 34,3% (219) dos pesquisados, sendo: 4,7% (30) com 30 anos, 4,74% (30) com 31 anos. 3,4% (22) com 32 anos, 3,1% (20) com 33 anos, 3,9% (25) com 34 anos, 3,8% (24) com 35 anos, 2,7% (17) com 36 anos, 2,5% (16) com 37 anos, 2,3% (15) com 38 anos e 3,1% (20) com 39 anos.

Estavam entre os 40 e 49 anos, 10,6% (68) dos participantes, sendo: 2,7% (17) com 40 anos, 1,6% (10) com 41 anos, 1,1% (7) com 42 anos, 1,6% )10) com 43 anos, 0,5% (3) com 44 anos, 0,8% (5) com 45 anos, 1,3% (8) com 46 anos, 0,8% (5) com 47 anos e 0,5% (3) com 48 anos.  Maiores de 50 anos perfizeram 3,3% (21) dos pesquisados, sendo: 0,3% (2) com 50 anos, 0,3% (2) com 51 anos, 0,8% (5) com 52 anos, 0,2% (1) com 54 anos, 0,3% (3) com 55 anos, 0,6% (6) com 56 anos, 0,2% (1) com 57 anos, 0,5% (3) com 58 anos e 0,2% (1) com 59 anos. Acima de 60 anos estava 0,2% (1) dos pesquisados, sendo este com 67 anos. GRAFICO 7

 

Gráfico 7. Qual sua idade?

 

 

 

 

 

 

 

Quando questionamos qual o nível de dúvida em relação à orientação sexual, através de uma escala de 0 a 10 onde 0 significa nenhuma dúvida e 10 muita dúvida sobre sua orientação sexual, 61,8% (395) responderam que não tem nenhuma dúvida (escala numérica 0) em relação a própria orientação sexual, o restante, 38,2% (244) responderam que tem alguma dúvida em relação a sua orientação sexual, levando-se em consideração a análise dos dados baseada na escala Phrase Completion onde os números de 1 e 2 queiram dizer dúvida muito leve, 3 a 7 dúvida moderada e 8 a 10 dúvida considerável, teríamos que: 16,4% (105) pesquisados teriam dúvida muito leve quanto sua orientação sexual, 20% (128), teriam dúvida moderada sobre sua orientação sexual e 1,8% (11), teriam dúvida considerável sobre sua orientação sexual.

 

Gráfico 8. Usando uma numeração de 0 a 10, com 0 sendo nenhuma dúvida e 10 sendo muita dúvida, que número você usaria para classificar seu grau de dúvida sobre sua orientação sexual?

 

 

 

 

 

 

Questionados sobre o nível de angústia que a própria orientação sexual causa, baseados no mesmo padrão anterior, 79% (505) referem nenhuma angustia frente sua orientação sexual e os outros 21% referem alguma angústia relacionada a isso. Levando-se em consideração que 1 e 2 signifiquem leve angústia, 3 a 7, moderada angústia e 8 a 10 grande angústia, temos que: 8,4% (54) referem leve angústia, 10,8% (69) relatam moderada angústia e 1,7% (11) declaram sentir grande angústia frente sua orientação sexual. GRÁFICO 9

 

Gráfico 9. Usando uma numeração de 0 a 10, com 0 nenhuma angústia e 10 muita angústia, que número você usaria para classificar seu grau de angústia frente sua orientação sexual?

 

 

 

 

 

Na questão sobre variabilidade da orientação sexual durante a vida, 83,7% (535) responderam que sempre se mantiveram na mesma orientação sexual ao longo da vida, e 16,3% (104) responderam que mudaram de orientação sexual ao longo de sua vida. GRAFICO 10

  

Gráfico 10. Ao longo dos anos, sua orientação sexual mudou?

AFINAL, O QUE CONCLUÍMOS?

 

Analisando os resultados, percebemos que a maioria dos participantes da pesquisa eram mulheres (mais de 75% ou 3/4 – três quartos dos pesquisados), brancas (74,2%; aproximadamente 3/4 – três quartos dos pesquisados) com ensino superior completo. Quanto ao gênero, observa-se que 0,3 % dos participantes que tem genitália feminina, ou seja, sexo biológico feminino, identificam-se no gênero masculino, desejando ser reconhecidas socialmente no gênero masculino, apesar do seu órgão sexual feminino.

Em relação à idade, predominou na pesquisa a faixa etária entre 20 e 39 anos, além disso, a maioria dos participantes estavam com um parceiro sexual fixo durante no momento da pesquisa.

A maciça maioria (81,1%) dos pesquisados seguia o sistema normativo vigente afirmando que tinham atração sexual pelo sexo oposto, ou seja, auto denominavam-se,  heterossexuais; surpreendentemente, os que se reconhecem como bissexuais teve proporção maior que a dos que se reconhece como homossexual, um fato que poderia explicar tal diferença (11% bissexuais e 6,1% de homossexuais) pode ter relação com a predominância do sexo feminino como participante do estudo, sendo a bissexualidade feminina mais “aceita” socialmente que a masculina, já que um dos fetiches e fantasias sexuais masculinas mais comentadas é o “ménage a trois” feminino, ou seja, sexo a três, sendo duas mulheres e um homem.

Outra surpresa em relação à pergunta questionando a orientação sexual é a porcentagem de pessoas que preferem não se posicionar, pois estão inseguros quanto a isso, fato esse explicado pelo movimento Queer, ou simplesmente por pura indefinição natural, ou ainda, dificuldade para declarar a própria bissexualidade.

Utilizando a Escala de Phrase Completion, muito utilizada no setor de marketing para averiguar a satisfação dos clientes em relação a um serviço ou produto, observamos, quando questionamos a dúvida frente a própria orientação sexual, que, pelo menos, 38,2% dos pesquisados tem alguma dúvida, mesmo que leve dúvida, em relação a sua orientação sexual, isso pode induzir a pensarmos que talvez a orientação sexual possa mudar com o tempo ou em determinada situação, e que pode não ser algo absolutamente definido e imutável.

Pensando que o enquadramento em uma orientação sexual, por qualquer motivo, seja dúvida, seja pressão social, familiar ou religiosa, possa causar angústia no indivíduo, assim como realizado no questionamento sobre a incerteza na própria orientação sexual, perguntou-se se havia angústia relacionada a orientação sexual, utilizando o mesmo método quantitativo da Escala de Phrase Completion. Novamente, a maioria dos pesquisados negou a presença de angústia; mas uma proporção de 21% referiu alguma angústia relacionada a sua própria orientação sexual. Cabe lembrar que não foi perguntado o motivo da angústia, apenas se havia ou não e em que intensidade; assim, não podemos aferir se a angústia referida pelos 21% é por ter se auto identificado como bissexual ou homossexual, ou ter que permanecer na heterossexualidade pois é a norma vigente e mais ajustável socialmente.

Quando avaliamos a flexibilidade da orientação sexual durante a vida, a extrema maioria referiu que se manteve na mesma orientação ao longo da vida; e apenas 16,3% afirmaram que foram flexíveis em relação a sua orientação sexual, tendo mudado sua orientação sexual ao longo da vida. Vale lembrar que a maioria dos pesquisados estavam na faixa etária de 20 a 39 anos; fase de (teoricamente) intensa atividade e descoberta na esfera sexual.

 

Fonte: Minotto FN. Bissexualidade: uma manifestação fisiológica do ser humano? [monografia]. Rio de Janeiro: Faculdade UnYLeYa; 2018. 76p